Por: João Coragem*
Os moradores do bairro do Mapiri, em Santarém, no oeste do Pará, encaminharam uma denúncia ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) solicitando investigação sobre possíveis irregularidades na eleição para a presidência da Associação dos Moradores do Bairro do Mapiri (Amobam). As inscrições das chapas para concorrer ao pleito encerraram no último dia 16, mas desde então surgiram questionamentos sobre a transparência do processo eleitoral.
A polêmica envolve a chapa liderada por Renato Guimarães, atual presidente da associação e coordenador de Planejamento e Políticas Públicas do Município, que busca a reeleição. Renato impugnou a candidatura da chapa adversária, encabeçada por Carlos, alegando perda de prazo. Segundo a justificativa, a chapa de Carlos teria ficado desfalcada dois minutos antes do encerramento do período de inscrição, quando uma integrante se retirou.
Contudo, moradores apontam que a chapa única liderada por Renato também apresentou falhas na sua composição. Quando os nomes dos integrantes foram divulgados, de forma não oficial, em um grupo de WhatsApp por um membro da comissão eleitoral, a lista estava incompleta. Após questionamentos, um novo documento foi apresentado pela chapa no dia 19 de janeiro, dois dias após o encerramento do prazo de inscrição, o que, segundo especialistas, seria uma irregularidade.
Parte dos moradores do bairro expressa indignação com o processo eleitoral, classificando-o como imoral e ilegal. Integrantes da chapa contrária afirmam que houve uma manobra deliberada para evitar concorrência, favorecendo a reeleição do atual presidente. A proximidade de Renato Guimarães com o poder executivo municipal também é alvo de críticas, já que, segundo os moradores, essa ligação comprometeria a imparcialidade da associação na cobrança por melhorias para o bairro.
"Como podemos confiar em um processo conduzido dessa forma? A AMOBAM deveria representar os interesses do bairro, mas está sendo utilizada como extensão do poder público", desabafou um morador que preferiu não se identificar.
Além disso, relatos de insatisfação geral com a atual gestão da associação têm sido amplamente compartilhados por moradores. Eles apontam falta de ações concretas em defesa do bairro e ausência de cobranças por políticas públicas que atendam às necessidades da comunidade local.
Diante da situação, integrantes da chapa opositora e moradores decidiram acionar o Ministério Público para investigar as supostas irregularidades. Eles aguardam respostas e esperam que o órgão intervenha para garantir a transparência e a legitimidade do processo eleitoral.
A eleição para a presidência da Amobam, que deveria ser um exemplo de democracia participativa, agora enfrenta a desconfiança da comunidade e está sob os holofotes das autoridades competentes.
*É repórter do Portal do JK do Povão On Line
Comentários: