A saída de Helder Barbalho do governo do Pará, em 2 de abril, oficialmente marcou o início de uma nova fase política no Pará, mas com os velhos e já conhecidos métodos de neutralização dos adversários, como já fez com nomes como o ex-aliado doutor Daniel, ex-prefeito de Ananindeua e principal adversário para as próximas eleições; o ex-governador Simão Jatene, com uma manobra que o deixou inelegível e, mais recentemente, com o casal Nilson e Lena Pinto, até então aliados de última hora de Helder.
Em paralelo, segue firme a ofensiva do ex-governador contra o ex-ministro Celso Sabino, antes silenciosa e hoje clara e notória.
Nos bastidores da política paraense a avaliação é praticamente consensual: Helder decidiu neutralizar Sabino antes que ele pudesse se consolidar como uma alternativa autônoma para as eleições de outubro próximo.
Política da rasteira
Não se sabe se foi o primeiro movimento, mas com certeza foi o mais simbólico dessa estratégia: a retirada do controle do União Brasil das mãos do ex-ministro. Com um enredo que lembra novela, o partido foi parar direto nas mãos do deputado estadual Chicão Melo, presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), nome que Helder Barbalho insiste como sendo o ideal para ocupar a segunda vaga do Senado.
A insistência por Helder no nome de Chicão precisa apenas ser combinada com o eleitor. Na região Oeste do Pará, por exemplo, há uma ampla rejeição ao projeto de poder comandado por Helder Barbalho, onde a atual governadora Hana Ghassan, agora pré-candidata à reeleição, não emplaca a primeira posição em nenhuma das pesquisas já realizadas. O mesmo acontece com Chicão Melo nas sondagens para o Senado.
Missão dobrada e artilharia pesada
Para as próximas eleições Helder passou a operar em duas frentes simultâneas: construir sua própria candidatura ao Senado Federal e garantir que o Palácio dos Despachos permaneça sob influência direta de seu grupo político.
Esse cenário talvez explique a ofensiva contra Sabino, que atua de forma muito independente para os parâmetros barbalhistas. Sem o partido que ajudou a fortalecer, o ex-ministro migrou para o PDT e continua sendo um forte peso na balança política do Pará, mas pagando o alto preço das retaliações.
Prefeitos aliados passaram a ser pressionados e quadros ligados ao ex-ministro foram excluídos do governo. A lógica é clara: reduzir ao máximo a capacidade de articulação de Sabino antes da consolidação do cenário eleitoral de 2026.
Métodos de neutralizar adversários
A ofensiva de Helder contra Sabino não é um episódio isolado, mas um método consolidado ao longo dos anos pelo ex-governador. O caso mais emblemático talvez seja o do atual prefeito de Ananindeua, doutor Daniel Santos, eleito deputado estadual em 2018 na mesma onda política que levou Helder ao primeiro mandato como governador, mas em lados opostos no primeiro turno.
A adesão de Daniel como apoiador de Helder no segundo turno rendeu ao novo deputado a presidência da Alepa, mas a relação começou a ruir a partir de 2022, com os rumores de crescimento de Daniel como potencial nome ao governo em 2026, e desandou de vez em 2024, quando Daniel disputou a reeleição à Prefeitura de Ananindeua e recusou a indicação do vice imposta pelo governador.
Antes disso, Helder já havia repetido estratégia semelhante contra o ex-governador Simão Jatene com o apoio da Alepa, reprovando as contas de Jatene e tornando-o inelegível.
Lógica do rolo compressor
A mesma lógica parece atingir agora o casal Nilson Pinto e Lena Pinto, remanescentes do antigo PSDB paraense. Com as bênçãos de Helder, o partido passou esta semana ao controle do prefeito de Belém, Igor Normando.
Paralelamente, Nilson Pinto tem enfrentado forte pressão política e jurídica, incluindo operação de busca e apreensão conduzida pelo Ministério Público do Pará, episódio que aumentou a tensão sobre o futuro político de Lena Pinto como pré-candidata a deputada federal.
Dentro desse contexto, a ofensiva contra Celso Sabino passa a ser interpretada menos como divergência pontual e mais como continuidade de um modelo político que busca impedir o surgimento de forças independentes capazes de disputar espaço dentro ou fora do grupo dominante no Pará.
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