A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (26), uma grande operação contra um suposto esquema de milícia digital que teria utilizado recursos públicos para promover aliados políticos e atacar adversários nas redes sociais. Entre os principais alvos está o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, investigado por suspeita de participação no grupo que, segundo a PF, movimentou mais de R$ 25 milhões.
Batizada de Operação Palanque Digital, a ação cumpriu mais de 30 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela. A ofensiva alcançou políticos, influenciadores digitais, jornalistas, ex-integrantes do governo municipal, além de uma agência de publicidade e seus sócios.
De acordo com as investigações, o grupo atuaria há cerca de quatro anos utilizando verbas da Prefeitura de Macapá para alimentar campanhas de autopromoção política nas redes sociais e disseminar ataques contra opositores. A Polícia Federal afirma que contratos de publicidade institucional teriam sido usados de forma irregular para financiar a estrutura digital ligada ao ex-prefeito e à esposa dele.
Os investigadores apontam ainda que pessoas associadas ao esquema também teriam sido nomeadas em secretarias municipais como forma de remuneração pelos serviços prestados na atuação da chamada “milícia digital”.
A investigação também revelou o uso de ferramentas de inteligência artificial para produção de conteúdos manipulados, incluindo imagens, vídeos, áudios falsificados e deepfakes utilizados nos ataques virtuais. Segundo a PF, materiais de teor homofóbico também foram identificados durante a apuração.
Entre os possíveis alvos dos conteúdos produzidos pelo grupo estariam adversários políticos, parlamentares e até integrantes do Supremo Tribunal Federal. A PF não divulgou oficialmente os nomes das vítimas mencionadas no inquérito.
Dr. Furlan já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em março deste ano, que investigava suspeitas de fraude em licitações e desvios de recursos em obras de um hospital municipal orçado em cerca de R$ 70 milhões. Após a ação policial, ele deixou o cargo de prefeito e anunciou pré-candidatura ao governo do Amapá.
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