Por: Cinthia Malcher*
Desde a última quinta-feira (16), a rodovia federal BR-163 está interditada na altura do km 83 por movimentos indígenas e sociais em protesto contra a extinção do Sistema Modular de Ensino (SOME) e seus impactos no Sistema Modular Indígena (SOMEI). O bloqueio une forças de diversos grupos, como o Instituto BR-163 Sustentável, professores da rede estadual, estudantes da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Diocese de Santarém e movimentos quilombolas.
A mobilização ocorre em resposta à Portaria 10.820, que efetivou cortes no modelo de educação modular, eliminando gratificações de profissionais da educação e dificultando o acesso de comunidades indígenas e quilombolas à educação de qualidade. Para os manifestantes, a decisão do governador Helder Barbalho representa um retrocesso nos direitos educacionais e culturais dessas populações.
Professores do SOMEI, que atua diretamente nas comunidades indígenas, alertam para os prejuízos da medida. Além da perda de gratificações para educadores, os alunos dessas localidades veem comprometido o direito constitucional à educação, que já enfrenta desafios logísticos e estruturais em regiões isoladas.
Apoio de Diversos Movimentos
A interdição conta com o apoio de diferentes segmentos:
Instituto BR-163 Sustentável, que denuncia o descaso histórico com as comunidades às margens da rodovia.
Professores da Rede Estadual de Ensino, preocupados com os impactos na carreira docente e na inclusão educacional.
Estudantes da UFOPA, que reforçam o papel da educação na transformação social.
Diocese de Santarém, que destaca a necessidade de políticas públicas inclusivas.
Movimentos Quilombolas, que se solidarizam na defesa dos direitos das minorias.
Os manifestantes enviaram um recado direto ao governador Helder Barbalho: “Quem não pode com o povo, não tira direito dele.” Eles exigem a revogação imediata da Portaria 10.820 e um diálogo transparente com as comunidades afetadas.
O bloqueio na BR-163, principal via de escoamento agrícola da região, já afeta o trânsito de veículos de carga e transporte de passageiros. Motoristas enfrentam longas filas, enquanto as negociações entre os movimentos e o governo permanecem em impasse.
Enquanto aguardam respostas do governo, os manifestantes permanecem firmes na rodovia. Representantes dos movimentos sociais pedem à sociedade compreensão e apoio, reforçando que a luta pela educação de qualidade é uma causa coletiva e não apenas das comunidades diretamente atingidas.
A interdição deve continuar até que as reivindicações sejam atendidas, marcando mais um capítulo na defesa dos direitos educacionais das populações tradicionais do Pará.
*É colunista do Portal JK do Povão On line
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