Por Thiago Borges
A morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus (AM), revelou uma falha grave na administração de um medicamento de alto risco. A médica de plantão prescreveu 3 ml de adrenalina por via endovenosa, repetidos três vezes — quando o correto seria a forma inalatória, usada em emergências pediátricas.
Após a primeira dose aplicada por uma técnica de enfermagem, Raiza Bentes, que declarou nunca ter administrado adrenalina EV. Benício sofreu piora abrupta e múltiplas paradas cardíacas, morrendo horas depois. A médica, Juliana Brasil Santos, admitiu ter errado na prescrição, em conversas obtidas com outros médicos.
Diante da gravidade, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva da médica sob suspeita de homicídio. A defesa impetrou habeas corpus, que foi concedido pela Justiça, garantindo a ela o direito de responder ao inquérito em liberdade.
O caso evidencia falhas individuais e sistêmicas: dose incompatível com a pediatria, via de administração indevida, ausência de dupla checagem e fragilidade no treinamento de profissionais. Médica e técnica agora respondem a procedimentos éticos e criminais.
Para o Dr. Thiago Borges, Especialista em Direito Médico e Hospitalar, o episódio expõe não apenas um erro individual, mas um problema estrutural que envolve preparo insuficiente, protocolos falhos e a necessidade urgente de revisão dos processos de segurança em unidades de saúde.
Segundo ele, o recente avanço no Senado de um projeto que cria, nos moldes da OAB, uma prova nacional de capacitação para médicos recém-formados representa uma tentativa institucional de resposta diante da crescente judicialização por erro médico.
O especialista reforça um alerta urgente: sem segurança, preparo e protocolos rígidos, o risco de erros fatais permanece elevado em hospitais de todo o país.
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