Uma obra pública orçada em R$ 1.117.617,68, que tinha como promessa melhorar a infraestrutura da frente da comunidade Vila Socorro, no Lago Grande, interior de Santarém, no oeste do Pará, está completamente abandonada desde 2022. O projeto previa drenagem, canaletas, dissipadores, pavimentação, calçadas, gramado e a recuperação do cais com escadaria, essencial para o escoamento de pessoas e produtos na região, sobretudo no período do verão amazônico.
A construção deveria ter sido concluída em 120 dias, conforme estabelecido no contrato firmado entre a Prefeitura de Santarém e o Governo do Estado, por meio de convênio assinado em junho de 2022. A obra recebeu recursos de uma emenda parlamentar destinada pelo então deputado estadual José Maria Tapajós, hoje prefeito da cidade. Os valores foram divididos em R$ 1.005.855,90 de repasse estadual e R$ 111.761,78 de contrapartida municipal.
Quase três anos depois, o cenário que se vê é desolador: a placa da obra foi derrubada, os materiais abandonados, a erosão já consome o pouco que foi feito, e não há qualquer movimentação da empresa responsável, a Neo Engenharia Ltda., nem da Prefeitura para retomar os trabalhos.
Moradores denunciam o sumiço dos recursos e o descaso das autoridades. “Isso aqui era para ser um cais com escadaria. Foi largado, o dinheiro foi jogado fora. O porto da nossa comunidade, por onde passa todo o transporte da região, está totalmente destruído”, desabafa um morador em vídeo gravado no local.
O abandono é ainda mais grave considerando que a Vila Socorro é um importante ponto de chegada e partida de barcos, ônibus e mercadorias para diversas comunidades do Lago Grande e até para o município vizinho de Juruti. No verão, o local se transforma no principal porto da região.
O então vereador Juscelino Kubitschek, o JK do Povão, esteve no local em 2024, atendendo a denúncias dos moradores. Na ocasião, ele confirmou que a obra estava paralisada mesmo após o término da vigência do convênio, que se encerrava em 30 de junho de 2024. “Por que essa obra não foi concluída, se o recurso foi enviado, a empresa contratada e os prazos vencidos? É inadmissível que obras públicas virem ruínas enquanto comunidades inteiras esperam por dignidade”, afirmou o ex-parlamentar.
JK do Povão chegou a documentar o abandono e cobrou respostas da Prefeitura, do Governo do Estado e da Câmara de Vereadores. Até hoje, nenhuma providência concreta foi tomada. Nenhum relatório técnico foi apresentado publicamente. Nenhuma explicação oficial foi dada aos moradores.
Onde está o dinheiro? Por que a empresa não concluiu o serviço? Por que a Prefeitura de Santarém não notificou ou penalizou a responsável pela obra? O atual prefeito, José Maria Tapajós, que destinou os recursos como deputado, já se posicionou sobre o abandono?
A comunidade segue aguardando por respostas. Enquanto isso, o que era para ser uma obra de infraestrutura virou símbolo de desperdício de dinheiro público e de desrespeito com a população ribeirinha.
O Portal JK do Povão aguarda manifestação da Prefeitura, do Estado e da empresa responsável pela obra para os devidos esclarecimentos.
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