O Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, no oeste do Pará, realizou o primeiro transplante de rim do ano de 2025 na primeira semana de janeiro. A beneficiada foi Edinalva Pinheiro, de 66 anos, natural de Óbidos, diagnosticada com doença renal policística (DRP), uma condição hereditária que compromete gradualmente a função dos rins.
Após 22 anos de acompanhamento médico, cinco deles realizando sessões de hemodiálise, Edinalva finalmente recebeu a notícia que aguardava. “Fui contemplada outras vezes, mas o procedimento não foi possível. Agora chegou a minha vez. Estou confiante nos profissionais do hospital e creio que tudo dará certo”, afirmou a paciente, que já planeja viagens de agradecimento a santuários religiosos.
A doença renal policística é caracterizada pelo surgimento de cistos nos rins, que podem levar à insuficiência renal. Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, hipertensão e presença de sangue na urina. A indicação do transplante ocorre em casos de insuficiência renal crônica, quando o paciente está em diálise ou em fase pré-dialítica.
Para o médico Henrique Rabello, o transplante renal é um divisor de águas na vida dos pacientes. “Com o novo órgão, eles deixam de depender do tratamento hospitalar intensivo e passam para um nível ambulatorial, melhorando a qualidade de vida e reduzindo o risco de mortalidade”, explicou.
O processo de seleção para o transplante é rigoroso e leva em conta a compatibilidade genética entre doador e receptor. A captação de órgãos depende da autorização da família do doador, reforçando a importância de campanhas de conscientização sobre o tema.
Desde 2016, o HRBA realiza transplantes renais, tendo alcançado a marca de 115 procedimentos até hoje. Apenas em 2024, o hospital realizou mais de 28 mil sessões de hemodiálise, atendendo 220 pacientes por meio do Centro de Terapia Renal Substitutiva.
Além de transplantes, o HRBA é referência na captação de órgãos e tecidos, totalizando 57 doações efetivas desde 2012, que resultaram na captação de 107 rins, 77 córneas, 14 fígados e quatro corações. A unidade conta com uma equipe multidisciplinar composta por nefrologistas, enfermeiros e técnicos especializados.
O hospital também abriga a Organização de Procura de Órgãos (OPO) Tapajós, responsável pela busca ativa de doadores e pela sensibilização de familiares para a doação. Cursos e treinamentos sobre diagnóstico de morte encefálica são realizados periodicamente para profissionais de saúde da região.
Em 2024, o HRBA teve sua autorização para captação e transplante de rins renovada pelo Ministério da Saúde até 2028. O diretor-geral do hospital, Matheus Coutinho, destacou a relevância desse serviço: “O transplante de rim é uma alternativa efetiva para pacientes com insuficiência renal avançada. O HRBA fortalece o Sistema Único de Saúde, salvando vidas e oferecendo esperança à população.”
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