Um caso lamentável de descaso com o atendimento hospitalar está causando revolta na população de Santarém, no oeste do Pará. Dona Elza Meire, de 87 anos, está internada no Pronto-Socorro Municipal há 45 dias aguardando uma transferência urgente para o Hospital Regional. Com um quadro de saúde grave e com a necessidade de implantar um marcapasso, a idosa permanece sem atendimento adequado, deixando sua filha, Dona Áurea, desesperada.
Dona Áurea Helena, emocionada, fez um apelo à nossa reportagem:
“Minha mãe entrou aqui no hospital no dia 13 de dezembro, já debilitada, mas ainda com certa força. Ontem ela passou muito mal, com diarreia e vômitos, e ninguém sabe o que é. Ela já está muito fraca e estamos aguardando até hoje a transferência para o Hospital Regional. Eles dizem que ela tem prioridade, que está em primeiro lugar na lista, mas, apesar disso, não há ninguém que tenha sido transferido após ela. E o que mais me indigna é ver a minha mãe aqui, sofrer, sem saber o motivo da demora, enquanto outros pacientes na mesma situação já foram transferidos. Isso é uma desumanidade.”
A situação de Dona Elza não é única. O quadro de abandono e falta de infraestrutura no hospital foi confirmado por outras pessoas que também estão presentes nas dependências do Pronto-Socorro Municipal. Lia Sandrine Vinhote, neta de Dona Elza, presenciou a situação e fez um desabafo sobre o que tem vivenciado no local:
“É uma situação lamentável. O hospital deveria ser um lugar onde o ser humano e seus direitos sejam respeitados, mas o que vemos aqui é o contrário. Eu já presenciei diversas situações de desrespeito e desumanidade. As condições do hospital são precárias, faltam insumos, há infiltração em várias partes do prédio e, o pior, tem infestação de insetos nos banheiros. Essa situação é inaceitável e precisa ser resolvida com urgência.”
A indignação é ainda maior quando se observa a situação no leito de Dona Elza, que, segundo relatos de familiares, tem uma goteira diretamente acima de sua cama. As imagens registradas pela equipe de reportagem mostram uma idosa tentando se proteger da água que cai sobre o leito com um copo, em um cenário de total descaso e falta de condições para o atendimento de pacientes.
A denúncia ganha ainda mais gravidade ao se saber que o prefeito de Santarém, ao tomar posse, visitou o Pronto-Socorro Municipal e tomou conhecimento da situação. Segundo Dona Áurea, ela comunicou pessoalmente ao prefeito sobre o sofrimento de sua mãe, que é natural da Vila do Socorro, comunidade do mesmo município. No entanto, a resposta do prefeito foi de total insensibilidade, e nenhuma providência foi tomada até o momento.
“Ela é conterrânea do prefeito, e mesmo assim ele não se sensibilizou. Eu não sei o que ele sente ao ver a mãe de uma conterrânea passando por isso. Eu não sei como a população pode confiar naqueles que têm o poder de mudar essa situação e não o fazem. Ninguém imagina o sofrimento que estamos enfrentando aqui. Nossa família não pode mais suportar essa dor.”
A situação registada no Pronto-Socorro Municipal é um reflexo do descaso com a saúde pública em Santarém, que, apesar de ter recursos destinados à saúde, enfrenta uma crise de gestão, falta de insumos e infraestrutura precária. A população pede a intervenção das autoridades competentes, como o Ministério Público, para que sejam tomadas as medidas necessárias e urgentes para garantir o atendimento adequado e digno para todos os pacientes, especialmente os mais vulneráveis.
Enquanto isso, a dor de uma filha que assiste à agonia de sua mãe sem poder fazer nada continua, e a indignação da população de Santarém cresce a cada dia.
O espaço segue aberto aos devidos esclarecimentos dos órgãos citados na reportagem.
Comentários: