Por: Cinthia Malcher*
O Hospital Municipal de Santarém, no oeste do Pará, enfrenta mais um capítulo preocupante neste início de governo do prefeito Zé Maria Tapajós. A unidade de saúde, que é referência para a região oeste do Pará, tem sofrido com a falta de insumos básicos, afetando desde medicamentos essenciais até materiais administrativos. A crise atual expõe um problema moderno no almoxarifado do hospital, agravado pelas recentes mudanças na gestão e nas políticas de adequação.
Desde 2023, o almoxarifado do Hospital Municipal vinha passando por uma reestruturação administrativa e organizacional, um processo que, segundo fontes internas, buscava corrigir problemas de desabastecimento e melhorar a eficiência na distribuição de materiais. No entanto, a situação se agravou com a exoneração de servidores que lideraram esse processo.
A chegada de um novo secretário de saúde trouxe mudanças significativas, incluindo a substituição de fornecedores de medicamentos, mas a justificativa para essas decisões permanece obscura. Não está claro se as mudanças foram baseadas em critérios técnicos, financeiros ou políticos, ou que geraram questionamentos entre os funcionários e a população.
A falta de insumos impacta diretamente os pacientes, especialmente na área de ortopedia, onde mais de 98 pessoas aguardam cirurgias por falta de órteses próteses. Essa demora não apenas prolonga o sofrimento dos pacientes, mas também aumenta os riscos de complicações.
A situação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é ainda mais grave. Faltam medicamentos fundamentais para a sobrevivência de pacientes críticos, colocando vidas em risco. Além disso, itens simples como analgésicos, tampas para vasos sanitários e papel A4 também estão em falta, evidenciando a extensão do problema.
A substituição de fornecedores de medicamentos é uma das decisões mais polêmicas da nova gestão. Há relatos de atrasos na entrega de insumos e questionamentos sobre a qualidade dos produtos adquiridos. Enquanto isso, os profissionais de saúde enfrentam desafios diários para atender pacientes com recursos limitados.
Familiares de pacientes e profissionais do hospital têm as autoridades por explicações e soluções. Até o momento, não houve um posicionamento claro por parte da Secretaria Municipal de Saúde sobre os critérios que embasaram as mudanças na gestão do almoxarifado e na política de adequada.
A crise no Hospital Municipal de Santarém é mais do que um problema administrativo; é uma questão humanitária. A falta de insumos básicos compromete não apenas o atendimento imediato, mas também a confiança da população em uma das principais instituições de saúde da região.
A sociedade espera ações concretas para resolver a crise, garantindo que o hospital volte a oferecer atendimento de qualidade e dignidade aos seus pacientes. Enquanto isso, a pergunta que não quer calar: qual será o custo humano dessa crise?
*É colunista do Portal JK do Povão On Line
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