A partir da próxima segunda-feira (12), os usuários do transporte coletivo urbano de Santarém vão sentir mais um impacto no bolso. A tarifa de ônibus passa de R$ 4,50 para R$ 4,80, conforme decreto assinado pelo prefeito José Maria Tapajós, colocando o município entre as cidades com passagem mais cara do país — mesmo sem oferecer um sistema compatível com esse custo.
O reajuste foi oficializado por meio do Decreto nº 010/2026 – GAP/PMS, publicado nesta quarta-feira, e também elevou a meia-passagem estudantil de R$ 1,50 para R$ 1,60. A Prefeitura sustenta que a decisão foi baseada em estudos técnicos e na deliberação do Conselho Municipal de Transportes, que chegou a defender uma tarifa de R$ 5,00. Empresários do setor, por sua vez, pediam um valor ainda mais alto: R$ 6,65.
Mesmo com o discurso de “moderação”, o novo valor escancara uma realidade incômoda. Santarém passa a cobrar mais caro que Belém, capital do Pará, onde a passagem custa R$ 4,60. A comparação ganha ainda mais peso quando se observa que Belém possui uma frota maior, linhas mais extensas e estrutura urbana muito superior à da cidade do oeste paraense.
Em grandes capitais do país, a diferença é mínima. Em São Paulo, a maior metrópole da América Latina, a tarifa subiu para R$ 5,30. No Rio de Janeiro, passou para R$ 5,00. Ou seja, o santareno paga quase o mesmo que usuários de sistemas que contam com corredores exclusivos, integração com metrô e trens, além de frotas mais novas e frequentes.
Outras capitais apresentam valores mais altos, como Belo Horizonte, onde a passagem chega a R$ 6,25, Fortaleza, com tarifa de R$ 5,40, e Florianópolis, que cobra até R$ 7,70 no pagamento por QR Code. No entanto, mesmo nesses casos, há investimentos contínuos, renovação de frota e maior oferta de serviços — cenário distante da realidade enfrentada diariamente pelos usuários em Santarém.
Apesar de autorizar o aumento, a gestão do prefeito José Maria Tapajós não apresentou melhorias concretas no transporte coletivo. Ônibus antigos, superlotação, atrasos e constantes reclamações seguem fazendo parte da rotina de quem depende do serviço. Ainda assim, a população é chamada, mais uma vez, a arcar com a conta.
O decreto também autoriza o reajuste das tarifas do transporte rodoviário intramunicipal na mesma proporção da tarifa urbana e estabelece regras de arredondamento para facilitar o pagamento. A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito afirma que seguirá monitorando o sistema e fiscalizando a operação.
Para muitos usuários, no entanto, o aumento reforça a sensação de injustiça: paga-se caro como em capital, mas recebe-se um serviço muito abaixo do esperado. O reajuste reacende o debate sobre prioridades da gestão municipal e o real compromisso com um transporte público digno para a população santarena.
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