JK do Povão Online

Sabado, 27 de Junho de 2026
Governo quer transformar obra inacabada do Minha Casa em

Geral

Governo quer transformar obra inacabada do Minha Casa em "hotel" para a COP30

Obra iniciada há mais de uma década em Belém enfrenta infiltrações, abandono e ainda não tem data certa para entrega; expectativa é receber parte dos visitantes do evento climático global

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

 Com infiltrações nas paredes, unidades sem portas ou janelas, e blocos ainda em fase de acabamento, o residencial Viver Pratinha, em Belém, é avaliado pelo governo federal como uma alternativa de hospedagem temporária durante a COP30, que será realizada na capital paraense em novembro de 2025. As informações são do G1.

O conjunto habitacional é parte do programa Minha Casa, Minha Vida e deveria ter sido entregue originalmente em 2016. No entanto, desde a assinatura do contrato das obras, em 2013, o projeto enfrentou atrasos, abandono, ocupações irregulares, vandalismo e degradação estrutural. Agora, o governo tenta viabilizar sua utilização parcial para abrigar parte dos cerca de 50 mil visitantes esperados para a conferência climática da ONU.

A equipe de reportagem esteve no local e constatou o estado precário de parte dos blocos. Algumas unidades estão destelhadas, com paredes com infiltrações, sem acabamento e até sem esquadrias. De acordo com o Ministério das Cidades, 256 apartamentos, distribuídos em 16 blocos, estão com obras em andamento, principalmente na fase de acabamento, como a colocação de cerâmica. A estimativa é que essas unidades fiquem prontas até outubro de 2025.

Leia Também:

Atualmente, Belém e região metropolitana contam com cerca de 24 mil leitos em hotéis, número considerado insuficiente para a demanda gerada pelo evento climático. A ideia do governo é utilizar parte do Viver Pratinha como hospedagem emergencial, sem comprometer a finalidade original do empreendimento.

Segundo o engenheiro civil Fabiano Alves, a situação das unidades revela problemas estruturais visíveis. “A parede apresenta sinais de desgaste no revestimento, possivelmente por ausência de pintura impermeabilizante, fissuras expostas ou degradação do reboco. A infiltração direta da água da chuva ocorre quando a parte externa da edificação não tem camadas de proteção adequadas para repelir ou reter a umidade”, explica.

Apesar da intenção de uso durante a COP, o Ministério das Cidades afirma que o cronograma de entrega das moradias aos futuros moradores segue inalterado, com previsão de ocupação no primeiro semestre de 2026. A pasta também garantiu que, se aprovada, a utilização temporária não afetará a entrega definitiva dos apartamentos.

O governo não informou o valor total do investimento, mas destacou que a nova etapa da construção recebeu um reforço financeiro de mais de R$ 40 milhões em recursos federais, com obras atualmente em ritmo contínuo.

Enquanto a COP30 se aproxima e o mundo volta seus olhos à Amazônia, o uso de um conjunto habitacional inacabado como solução emergencial para hospedagem expõe o desafio do governo em equilibrar promessas sociais, infraestrutura precária e os compromissos de um evento internacional de grande porte.

Comentários:
JK do Povão Online

Publicado por:

JK do Povão Online

Saiba Mais
Casa Forte Construção
Casa Forte Construção
Mayra Almeida
Mayra Almeida

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!