Os deputados federais Raimundo Santos, Henderson Pinto, Keniston Braga e Olival Marques aparecem em uma “planilha de valores” apreendida pela Polícia Federal, segundo revelou o jornalista Lauro Jardim, em coluna publicada no jornal O Globo nesta quarta-feira (18).
De acordo com a publicação, ao menos quatro parlamentares paraenses tiveram seus nomes citados em um documento obtido durante uma operação da Polícia Federal realizada na última segunda-feira (16). A ação teve como base um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações consideradas atípicas envolvendo a empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda.
O material apreendido inclui um documento manuscrito no qual aparecem os nomes dos deputados acompanhados de valores que variam entre R$ 100 mil e R$ 538 mil. No entanto, não há indicação clara sobre a origem ou o destino dessas quantias. Entre os valores citados, o maior está associado a Raimundo Santos, com R$ 538 mil, seguido por Henderson Pinto, com R$ 485 mil. Já Olival Marques e Keniston Braga aparecem ligados a R$ 139 mil e R$ 100 mil, respectivamente.
Além dos parlamentares, o documento também faz referência a órgãos públicos, como a Secretaria de Turismo (Setur), e a municípios paraenses, entre eles Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, todos relacionados a cifras anotadas.
Apesar de constarem no rascunho apreendido, os nomes dos deputados não aparecem no relatório oficial da Polícia Federal ao qual a coluna teve acesso. Até o momento, não há confirmação de que eles sejam alvos formais de investigação.
Procurado, Keniston Braga afirmou ter sido surpreendido com a informação e declarou desconhecer tanto o conteúdo da suposta planilha quanto as pessoas presas na operação. Ele disse ainda que pretende buscar esclarecimentos junto à Polícia Federal. Raimundo Santos também manifestou estranheza em relação à citação de seu nome e afirmou que não apresentou emendas parlamentares para eventos culturais no estado.
Os deputados Olival Marques e Henderson Pinto foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
A operação da PF resultou na apreensão de R$ 500 mil em dinheiro vivo e na prisão em flagrante de três pessoas, incluindo um servidor da Casa Civil do governo do Pará. Entre os detidos estão o empresário Felipe Linhares Paes, Ronaldy Rian Moreira Gomes e Michel Silva Ribeiro.
Segundo as investigações, Ronaldy teria admitido atuar como “laranja”, recebendo cerca de R$ 3 mil por mês para figurar como sócio de uma empresa controlada por Felipe. A Polícia Federal aponta indícios de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, com uso de terceiros para movimentar recursos.
A presença de um servidor público no grupo levantou suspeitas de possível ligação com agentes do governo. Ainda de acordo com a investigação, há indícios de crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de resistência à prisão e porte ilegal de arma. Também é apurada a possível origem ilícita dos valores, incluindo conexões com pessoas investigadas por tráfico de drogas.
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