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Domingo, 19 de Abril de 2026
Justiça retira Ananindeua do bloco principal de concessão de saneamento em dia de leilão

Daniel Santos (Ananindeua)

Justiça retira Ananindeua do bloco principal de concessão de saneamento em dia de leilão

Decisão judicial representa reviravolta na licitação do Bloco A, que inclui Belém e previa R$ 1 bilhão em outorga mínima; município alega irregularidades no processo

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Em uma decisão que pode impactar significativamente a modelagem da concessão de saneamento básico no Pará, a Justiça determinou, nesta quinta-feira (10), a retirada imediata do município de Ananindeua do Bloco A — o principal lote da licitação conduzida pelo Governo do Estado, com leilão marcado para a tarde desta sexta-feira (11), na sede da B3, em São Paulo.

A decisão, assinada pelo juiz Adelino Arrais Gomes da Silva, da Vara da Fazenda Pública de Ananindeua, atende parcialmente a um pedido da Prefeitura de Ananindeua, que contestou judicialmente a forma como o município foi incluído na modelagem do projeto.

Entre os pontos questionados pela administração municipal estão:

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A formação territorial do Bloco A, que incluiria Ananindeua em desacordo com a Constituição e a legislação vigente;

A ausência de um instrumento de governança interfederativa, previsto em lei para esse tipo de consórcio regional;

A falta de autorização legislativa da Câmara Municipal para adesão ao projeto;

O critério de julgamento do leilão baseado na maior outorga financeira, e não na menor tarifa para a população.

Apesar de não suspender o leilão como um todo, o juiz determinou que o Estado promova a "imediata exclusão do Município de Ananindeua da Concorrência Pública n° 01/2024", com a necessária reestruturação do bloco regional e da modelagem da concessão.

A decisão judicial tem potencial para provocar atrasos e reestruturações no Bloco A, que incluía inicialmente os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba — considerados os mais rentáveis do Estado. O contrato prevê investimentos bilionários, com uma outorga fixa mínima de R$ 1,042 bilhão, além de metas rigorosas de universalização dos serviços de água até 2033 e de esgoto até essa mesma data, algo exclusivo desse bloco.

Até o momento, o Governo do Pará não se manifestou oficialmente sobre a decisão judicial ou sobre os próximos passos da licitação.

Mesmo com a exclusão de Ananindeua, o leilão está mantido para a tarde desta sexta-feira (11), em São Paulo. Além do Bloco A, também serão licitados os Blocos B e D, que juntos somam 99 municípios e preveem cerca de R$ 15,2 bilhões em investimentos ao longo da concessão.

De acordo com fontes, quatro grupos entregaram propostas para os lotes: Aegea, Azevedo e Travassos, Servpred e o Consórcio Eldorado Saneamento. Um quarto bloco, que também estava previsto, foi retirado da disputa por falta de interessados e deverá ser reformulado.

Nos Blocos B e D, as metas de universalização do esgotamento sanitário são mais flexíveis: até 2039, ao contrário do Bloco A, que exigia universalização até 2033.

A modelagem do projeto foi estruturada com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê um modelo híbrido, em que a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) continuará responsável pela produção da água, enquanto a empresa vencedora da licitação ficará a cargo da distribuição e coleta de esgoto, num formato semelhante ao das concessões realizadas no estado do Rio de Janeiro.

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