O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, sinalizou a representantes do setor empresarial que poderá apoiar uma revisão das regras que preveem o fim da escala de trabalho 6x1 a partir de 2027, caso seja eleito. A informação foi divulgada pelo Broadcast, serviço de notícias do Grupo Estado, com base em relatos de fontes ouvidas pela publicação. A mensagem teria sido transmitida a pedido do próprio parlamentar para reduzir a preocupação de empresários com os impactos da mudança sobre os custos e a organização das empresas.
Segundo a apuração, aliados de Flávio defendem a discussão de alternativas para adaptar a implementação da nova jornada às particularidades de diferentes setores da economia. Até o momento, porém, não foram apresentados detalhes sobre quais regras poderiam ser revistas nem como isso seria feito.
A sinalização ocorre após o senador mudar de posição sobre a proposta que prevê o fim do modelo de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. O Senado aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Inicialmente, Flávio classificou a iniciativa como uma medida de oportunismo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Posteriormente, decidiu votar a favor do texto, sob o argumento de que a proposta atende aos anseios da maioria da população.
De acordo com relatos de aliados, a orientação para que integrantes da oposição apoiassem a PEC também levou em conta o cenário eleitoral. A avaliação era de que votar contra a medida poderia provocar desgaste junto aos trabalhadores e deixar Lula em posição privilegiada para capitalizar politicamente a aprovação da pauta.
Empresários temem aumento de custos
A mudança de discurso provocou insatisfação entre representantes do setor empresarial. Em conversas reservadas, lideranças questionaram a consistência das posições do candidato e manifestaram preocupação com as consequências econômicas da redução da jornada.
Entre os principais pontos de atenção estão a reorganização das escalas de trabalho, a eventual necessidade de contratar mais funcionários e os efeitos sobre a produtividade e as despesas das empresas. Os impactos, segundo as preocupações relatadas, podem variar de acordo com a atividade econômica e o modelo de operação de cada setor.
Diante dessas críticas, aliados de Flávio passaram a sinalizar a possibilidade de buscar mecanismos para reduzir os efeitos da mudança sobre a atividade produtiva em um eventual governo. Ainda não há, contudo, uma proposta detalhada apresentada pelo candidato.
Uma das alternativas mencionadas nas discussões é uma ideia defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, que prevê um regime de trabalho mais flexível, com remuneração calculada conforme as horas efetivamente trabalhadas. Não foram apresentados detalhes suficientes para determinar como essa proposta seria aplicada ou de que forma se relacionaria com as regras previstas para o fim da escala 6x1.
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