A retirada de equipamentos do canteiro de obras do Estádio Colosso do Tapajós, em Santarém, no oeste do Pará, acendeu o alerta sobre o futuro da reforma da principal praça esportiva do Baixo Amazonas. A movimentação foi registrada nesta semana, depois de uma série de demissões de trabalhadores, e aumentou a preocupação dos torcedores com a continuidade dos serviços e a entrega do estádio, cuja conclusão estava prevista para o início de 2027.
De acordo com uma fonte ligada ao Sindicato da Construção Civil de Santarém, 412 trabalhadores teriam sido dispensados na tarde desta semana, restando cerca de 80 no canteiro. A informação, no entanto, diverge dos dados divulgados anteriormente pelo governo estadual, o que reforça a necessidade de esclarecimentos oficiais sobre o atual quadro de funcionários, o andamento dos serviços e o cronograma da obra.

Durante a campanha eleitoral, nas redes sociais, o secretário regional de Governo, Júnior Tapajós, havia informado que o canteiro contava com mais de 300 trabalhadores. Segundo a publicação, a previsão era dobrar esse contingente até setembro para acelerar os trabalhos e garantir a entrega do estádio em janeiro de 2027. A retirada de equipamentos e os relatos de demissões levantam dúvidas sobre o cumprimento dessa promessa.
O cenário coloca a reforma do Colosso do Tapajós entre os desafios que o governador eleito, Dr. Daniel, terá de enfrentar a partir de 1º de janeiro de 2027. Ele assumirá o governo estadual após a vitória nas urnas e receberá da atual administração uma série de obras em andamento ou inacabadas, que exigirão avaliação, planejamento e decisões sobre prazos, recursos e prioridades.
No caso do estádio de Santarém, a preocupação vai além da estrutura física. A conclusão da obra é aguardada por torcedores do São Raimundo e do São Francisco, clubes que protagonizam uma das maiores rivalidades do futebol paraense, além de atletas, trabalhadores do setor esportivo e comerciantes que esperam o retorno dos jogos para movimentar a economia local.
A eleição também deu ao futuro governador uma votação expressiva em Santarém. Dr. Daniel recebeu 104.303 votos no município, enquanto Hana Ghassan obteve 77.321. No resultado estadual informado, o governador eleito somou 2.345.721 votos, contra 2.125.084 da candidata derrotada. Os números reforçam a relevância política do oeste paraense, mas a expectativa agora é que a nova gestão apresente respostas concretas para as demandas da região.
Promessa de modernização e investimento de quase R$ 200 milhões
Em 2 de setembro, durante a campanha eleitoral, Hana Ghassan visitou as obras do Colosso do Tapajós e afirmou que os serviços estavam com 43% de execução, com quase 390 trabalhadores atuando diariamente. Na ocasião, o governo estadual apresentou a reforma como um investimento estratégico para o esporte e para a economia regional.
O projeto prevê ampliar a capacidade do estádio de aproximadamente 8 mil para mais de 21 mil pessoas, além de modernizar arquibancadas, acessos, banheiros, bares, vestiários, instalações elétricas e hidráulicas, estacionamento e outros espaços. O investimento anunciado pelo governo do Pará é de R$ 198,1 milhões, com recursos do Tesouro Estadual.
A obra também inclui a recuperação estrutural, a implantação de sistemas de drenagem e a substituição do gramado por grama do tipo Bermuda, seguindo padrões utilizados no futebol profissional. A Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) é responsável pela coordenação das intervenções.
Inaugurado em 1987, o Colosso do Tapajós já passou por uma tentativa de ampliação e modernização iniciada em 2013, que não foi concluída. Ao longo dos anos, problemas estruturais e a falta de acessibilidade comprometeram as condições do estádio, aumentando a expectativa em torno da atual reconstrução.
Agora, diante dos relatos de demissões e da retirada de equipamentos, a principal questão é saber se a obra continuará no ritmo necessário para cumprir o prazo anunciado. Caberá ao atual governo esclarecer a situação do canteiro e garantir transparência sobre o cronograma e os recursos aplicados. À próxima gestão estadual ficará o desafio de definir como concluir o projeto caso a entrega não ocorra dentro do prazo previsto.
Para Santarém, o Colosso do Tapajós não é apenas uma obra pública de grande porte. É um equipamento esportivo aguardado há anos, cuja conclusão representa a possibilidade de devolver à cidade um espaço adequado para grandes partidas, fortalecer o futebol regional e movimentar a economia. Depois de tantas expectativas, a população espera que o estádio não se transforme em mais uma obra inacabada no Pará.
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