Imagens de câmeras de segurança mostram um homem sendo atropelado enquanto se exercitava em uma ciclofaixa, no fim da madrugada, em Belém. A vítima sobreviveu, mas o episódio desencadeou uma investigação que revela um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do sistema de justiça do Pará.
Reportagem do programa Fantástico aponta que o delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, o promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano e o juiz Jackson José Sodré Ferraz estariam envolvidos desde 2021 em uma rede que cobrava propina de suspeitos em troca de decisões ou encaminhamentos favoráveis, configurando uma espécie de “justiça paralela”.
No caso do atropelamento, uma parente do motorista relata ter sido procurada por policiais pedindo R$ 25 mil para “aliviar” a situação. Em áudios, o delegado nega a cobrança, mas outras gravações apontam negociações financeiras explícitas. Em uma das mensagens atribuídas a Nobre, ele diz: “Nunca pense que vou me queimar por R$ 10, R$ 20, R$ 30 mil”.
A investigação indica que o delegado trocava mensagens com seu superior, Carlos Daniel Fernandes de Castro, então diretor metropolitano da Polícia Civil, sobre oportunidades para arrecadar dinheiro durante sua transferência para outra delegacia em 2023.
O promotor Luiz Márcio e o juiz Jackson Ferraz também aparecem nas apurações, com indícios de participação em decisões e plantões que favoreciam investigados mediante pagamento. Entre os casos citados está a operação “Truque de Mestre”, em que influenciadores suspeitos de jogos de azar teriam pago R$ 500 mil a intermediários ligados à rede.
Arthur Nobre foi afastado, mas segue recebendo salário de R$ 28 mil. O promotor Luiz Márcio também está afastado e recebe R$ 68 mil. O filho do juiz, Caio Ferraz, é apontado como possível intermediário de repasses. As defesas afirmam que irão se manifestar nos autos, mas até o momento o governo do Pará não se pronunciou oficialmente sobre o escândalo.
Comentários: