A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto, presa sob suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ficará inicialmente em uma cela especial da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (15), segundo o portal Metrópoles. Ela está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e deverá ser transferida nos próximos dias para Pernambuco, onde tramita a investigação que motivou a prisão.
A custódia ficará sob responsabilidade da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), vinculada à PCDF. Conforme as informações divulgadas, a permanência em cela especial tem respaldo na Lei Orgânica da corporação e evita, neste primeiro momento, que a delegada seja encaminhada ao sistema penitenciário feminino comum.
Maria Virgínia foi presa em Brasília durante a Operação Sinalagma, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco. A investigação apura suspeitas de participação de agentes públicos em um esquema que envolveria tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Segundo as apurações, a delegada é suspeita de ter recebido R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC. As suspeitas teriam surgido após a análise de dados extraídos do celular de Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado pelos investigadores como uma das lideranças da facção. A investigação financeira também identificou movimentações superiores a R$ 14 milhões pelo grupo investigado.
Delegada foi absolvida em processo por morte de ex-namorado
O nome de Maria Virgínia também esteve ligado a um caso de homicídio registrado em Belém, em 2003. Na época, ela foi acusada de matar o ex-namorado, o investigador da Polícia Civil Heldenilson Costa Holanda, encontrado morto com um tiro na cabeça em 7 de junho daquele ano, no edifício Sol Dourado, localizado na rodovia Augusto Montenegro.
Durante interrogatório judicial, em abril de 2004, a delegada negou ter cometido o crime e afirmou que o investigador havia tirado a própria vida.
O caso foi levado ao Tribunal do Júri em 10 de março de 2010. Durante a sessão, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além da apresentação de laudos periciais. O promotor de Justiça Edson Cardoso pediu a absolvição da ré, por considerar insuficientes as provas para sustentar a acusação. A defesa, conduzida pelo advogado Antônio Freitas Leite, também negou a autoria do crime.
Ao final do julgamento, os jurados absolveram Maria Virgínia por maioria dos votos.
A prisão atual não tem relação com o processo de 2003. A delegada é investigada no âmbito da Operação Sinalagma, que apura possíveis vínculos entre agentes públicos e integrantes do PCC. A transferência para Pernambuco deverá colocá-la à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.
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